Memórias do abismo

contos da escuridão
E se um dia você acordasse e simplesmente não fizesse ideia de quem é?! É nessa a situação que Florian Geistwasser se encontra quando finalmente desperta, após um mês em coma. A única lembrança que ele possui é um sonho que não para de se repetir, dando-lhe a impressão de que as mãos que ele mantém limpas, já foram manchadas de sangue.ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤA trilogia " Contos da escuridão",ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ ㅤnarra a jornada de Florian (um ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤmeio-elfo) em busca do seu pas-ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤsado e, na busca pela liberdade ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤdas terras-médias, que está do-ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤminada pelas trevas.

Capítulo Um - Florian Geistwasser

                                                                                                                             image

 

A chuva gélida caía levemente na noite, assim como as lágrimas do homem que a pouco à invocara. Ferimentos profundos eram visíveis em todo o seu corpo, resultado da batalha que a pouco havia travado. Com o pouco de força que lhe restava, tentava se manter de pé apoiando-se na espada. O homem olhou em volta da clareira, longos cabelos castanhos lhe caíam sob a face barbada. Atônito ele fitava o vulto que se encontrava parado a sua frente.

-Blutigen Töd… -sussurrou o homem quase sem voz.

  Blutigen sorriu. Ele usava um capuz negro que envolvia quase todo seu cabelo carmesim. Os olhos cor de esmeralda brilhavam extravasando malícia. Blutigen desembainhou a espada uma última vez. A arma grande, forjada por anões, era feita do mais puro aço. Sem demonstrar piedade ele ergueu a espada para os céus e com toda a força cravou-a nas costas de seu inimigo.

-Blu-Blutigen por que ? -sussurrou o homem enquanto o sangue quente escorria por suas costas.

-Não há mais motivos para diálogos- retrucou ele, virando de costas - Adeus … meu velho amigo. Aproveite bem o conforto da morte.

  A consciência do homem começava a se esvair e antes que desse o seu último suspiro, observou o vulto negro, que sumia agora floresta adentro.

                                                       […]

  O meio-elfo abriu os olhos bruscamente assustado com o “sonho” que acabara de ter. A luz forte da aurora queimou seus olhos . Ele os semicerrou rapidamente e aos poucos começou a se acostumar com a claridade do sol. Ele analisou o ambiente no qual se encontrava, era um aposento pequeno. Plantas e ervas estavam presentes em todo ele, guardadas em pequenos vidros, plantadas  em caqueiros no chão e até mesmo penduradas no teto. Na parede esquerda do quarto notava-se um janela de madeira aberta. Lá fora, o mundo era totalmente branco, envolvido pelos flocos de neve que caíam serenos. Ao lado de sua cama permanecia um pequeno aparador de madeira, em cima dele haviam alguns vidros com líquidos coloridos, outros cheios de pó, um pedaço surrado de papel e uma pequena tigela de água. 

  O elfo tentou se erguer com esforço e só então percebeu a grande quantidade de ataduras que cobriam seu corpo. Ele pegou a tigela e no reflexo da água pode reconhecer o homem que presenciou morrer em seu sonho. Ele não parecia ser tão velho, aparentemente possuía vinte e seis anos, os cabelos castanho-dourado não estavam mais compridos e a barba longa agora estava cuidadosamente aparada. A presença das feições élficas eram nitidamente claras em sua face rosada. Rosto simétrico, sobrancelhas oblíquas, nariz reto e orelhas pontudas. Os olhos azuis, cristalinos como a mais pura água, carregavam uma expressão confusa.

   Onde estou ?  Que lugar é esse? A pergunta se repetia em sua cabeça. O desespero tomou conta dele, quando finalmente se deu conta de que seu passado havia se perdido, ele estava completamente imerso nas trevas. Quem sou eu ?

-Vejo que finalmente acordou- Uma voz serena ecoou no quarto.

  O elfo virou a cabeça rapidamente, ao lado da porta, de braços cruzados e encostado na parede, encontrava-se um humano. Ele era jovem, tinha no máximo vinte e quatro anos, suas feições eram sérias, porém amigas. Os cabelos desgrenhados eram curtos e carregavam a escuridão do céu à noite, os olhos pareciam duas esferas de lápis-lazúli, o rosto quadrado era pálido como a neve que caía do lado de fora da casa. Ele vestia roupas pretas de couro,a calça era presa por três cintas marrons, em uma delas havia uma pequena fita vermelha amarrada, em seu pescoço pendiam dois amuletos ( um de madeira e o outro de prata) e suas costas eram envoltas por um capa escura.

-Licht Sonnenschein - disse sorrindo, enquanto apontava para si com o polegar.

-Você faz ideia de quem eu sou ? - disparou o meio-elfo.

-Eu achei que era você quem me responderia essa pergunta - Licht sorriu sem jeito - Mas eu faço ideia sim, de quem você é !

  Licht desencostou da porta, foi caminhando em direção ao aparador, apanhou o pedaço de papel velho e o entregou ao seu hóspede. O elfo examinou o papel desconfiado, se tratava de um bilhete, a maioria das palavras estavam manchadas pela água.

” Raven, precisamos nos encontrar o mais rápido possível. Minha vida corre perigo, só neste mês fui capturado três vezes e só consegui escapar usando magia com muito esforço. Antes que o pior aconteça você tem de vir a mim. Os tempos estão mudando, o rei está preparando algo grande.Há coisas que você precisa saber, coisas que vão afetar não só a você, mas a toda ordem da resistência. Me responda a carta o mais rápido que puder, até lá, continue forte mesmo que os trovões venham a estremecer os céus. Florian Geistwasser”

Surpresa e aflição descreviam a expressão no rosto dele. Virou o verso do bilhete e leu a pequena resposta escrita com garranchos.

“Me encontre em Álfheim, no equinócio de primavera. Ass: Raven Lanthir.”

O elfo apertou o bilhete em sua mão, enquanto tentava digerir todas as palavras e depois de um longo minuto de silêncio, finalmente disparou.

-Eu não sei se compreendi direito - a sua voz era grave e tímida.

Licht sorriu, já esperava aquela resposta. Ele sentou no chão, respirou fundo e olhou atentamente para o elfo.

-Há cerca de um mês atrás, eu presenciei alguns fatos estranhos- começou Licht - Existe uma certa flor que por algum motivo, só cresce em um lugar específico e apenas desabrocha em um certo horário da madrugada. Por razões que só cabem a mim saber, eu estou coletando essa flor.

  Naquela madrugada, enquanto eu estava indo coletar a flor, eu senti uma presença estranha no ar, a atmosfera estava mais densa. Eu me distanciei um pouco do meu caminho e fui parar em um vale próximo ao lago congelado. Quando cheguei lá uma chuva forte e violenta caía sob o local, um fato curioso já que a nuvem que estava precipitando estava presente apenas na clareira da floresta, não chovia em nenhum outro lugar. Eu entrei na parte central da floresta e quando cheguei lá havia um homem caído no chão e um outro encapuzado de pé erguendo sua espada para o alto. Me escondi rapidamente atrás de uma árvore e tentei escutar o que diziam, falavam muito baixo e não deu pra entender.

  Por fim o homem encapuzado despareceu na floresta, montado em um cavalo negro. Corri pra clareira rapidamente, mas o homem já estava desmaiado. Naquele momento eu tomei uma decisão. Aquele homem poderia ser tanto um criminoso, como poderia ser alguém de paz. Decidi salvá-lo. O corpo do homem estava muito ferido, haviam cortes por toda parte sem contar os sangramentos internos, ele se encontrava a um fio da morte, achei que ele não iria suportar, não sabia como ele ainda conseguia estar vivo. Fiz alguns curativos superficiais e o levei para minha casa. Desde então guardas do rei tem vindo nessa cidade com frequência.

  Aquele homem o qual eu cuidei era você, eu tratei seus ferimentos. Você disse que não compreendeu o bilhete direito, então tentarei te explicar. No bilhete esse homem, Florian, diz querer falar com o tal de Raven, o mais rápido possível. Acontece que Raven, é o líder de um exército revolucionário a muito procurado pelo senhor das trevas, ele é um homem inalcançável, com objetivos secretos, cujo o rosto ninguém conhece. Voltando ao bilhete, Florian diz estar correndo risco de morte, e que pra se salvar do inimigo, ele tem usado magia. Tudo se encaixa, você sendo “assassinado” na floresta, aquela chuva estranha aparecendo sem explicação e a única frase que eu consegui entender da conversa. “Adeus Florian, meu velho amigo.” Não percebe? Você é Florian Geistwasser.- Licht não conseguia conter a excitação em sua voz.

-Florian ? - perguntou o elfo, ainda confuso.

-É um excelente nome e combina bastante com o seu atual momento. Em uma língua arcaica, Florian quer dizer inocência. 

  Florian começou a aceitar melhor tudo que acabara de ouvir, dúvidas sem fim começavam a povoar os seus seus pensamentos.

-Eu, eu não me importo com quem fui, tomei uma decisão, não irei atrás desse tal de Raven. Se você permitir  gostaria de passar algum tempo aqui, há muitas coisas que eu ainda quero aprender.

  Licht sorriu.

-Eu não me incomodo que fique, mas você tem certeza do que quer ? O Equinócio ainda está por vir, será sua única chance de encontrar com o líder da resistência.

-Sim, é o que quero. Não sei que tipo de vida eu levava antes, mas já percebi que não era uma vida tranquila, a partir de hoje quero viver em paz.

Licht assentiu com a cabeça e antes de deixar o aposento falou :

-Suas intenções são nobres, mas fique avisado, o passado sempre dá um jeito de voltar para nos visitar. Começar de novo não é uma tarefa fácil.

  Florian sabia disso, tudo o que ele havia dito a pouco não passavam de palavras ao vento. Tinha dito o que disse apenas para não envolver o homem que acabara de salvá-lo em perigo. Pretendia partir daquele vilarejo o mais rápido que pudesse , ficaria ali apenas mai uma semana.

  Ele levantou da cama com dificuldade, era como se ele tivesse ficado de pé pela primeira vez, sua pernas doloridas tremiam, ele respirou fundo e tentou manter o equilíbrio. Cambaleando, andou em direção à janela, recostou-se sobre o parapeito e admirou a neve cair. Do lado de fora da casa, havia uma pequena horta repleta de ervas, a maioria congelada pelos pequenos flocos. Mais a frente podia se ver um caminho de pedra que levava para o centro da vila, à esquerda várias casas pequeninas feitas de pedra enfeitavam a rua silenciosa. A casa de Licht era a mais afastada da vila, Florian concluiu que ele não tinha tantas riquezas.

 Um mundo totalmente novo começava a surgir para Florian e com ele muitas responsabilidades, muitas perguntas. Por que o rei queria ele morto? Quem era Raven? Porque tinha a sensação de que as mãos que ele estava tentando manter limpas já haviam sido manchadas de sangue?  Seus pensamentos foram interrompidos por um grupo de crianças que passara correndo dando risinhos tímidos. Era muito bom estar vivo.

  

  


Prólogo: A ascensão das trevas

   

A luz cálida da aurora penetrava por cada uma das janelas de pedra do castelo Josálfar. Na sala do trono o rei Alf Volündr, um elfo alto de orelhas pontudas, com longos cabelos negros e olhos igualmente escuros, se vestia para a batalha. Na bainha de sua cinta pendia uma espada e, nas costas, uma fuuma shuriken dourada. Apreciava aquela que poderia ser a sua última manhã. Ele colocou o elmo prateado com formato de lobo, respirou o ar fresco com o aroma salgado das águas do mar novamente e esperou que seu mensageiro chegasse.

-Meu rei -disse Hrólfr Leafár, o mensageiro chefe da corte élfica, que acabara de penetrar o aposento. -Trago más notícias. 

O mensageiro fez uma reverência apressada enquanto tentava organizar mentalmente as informações.

-Uslêarth caiu. As tropas daquele que se denomina “o rei das trevas”, marcha neste exato momento para a ponte leste de Eldherath. Três caravelas foram avistadas subindo o Rio das Almas Puras. Todas elas cheias de mercenários e orcs -Hrólfr respirou fundo tentando recuperar o folêgo. -Meu rei, quais são suas ordens ?

-Parece que…

O rei ficou em silêncio por um momento. Olhou em volta. Uma onda de desespero tomou conta dele.

-Parece que o momento finalmente chegou. Mande os soldados destruírem a ponte leste e, depois que se certificarem que todas as elfas, crianças e anciões deixaram a ilha, façam o mesmo com a oeste. Avise a Niar Rainfall que é hora de executar o plano. Ela deve fugir com os pequenos príncipes imediatamente.

Alf saiu de seu trono, andou pelo local, olhou seu exército pela janela e disse:

-Hoje será o dia de nossas mortes, ao menos morreremos com honra.

                                                  …

O rei observava o campo de batalha por cima de seu cavalo alvo. As pontes leste e oeste já haviam sido destruídas, todos estavam completamente cercados, não havia mais volta. Os elfos restantes apenas esperavam a hora de suas mortes, o medo estava claramente presente em seus olhos.

Na sua frente o exército inimigo aumentava rapidamente. Destacando-se na vanguarda se encontrava o rei das trevas Adan Darchrow Lhûggaward. Seu cabelos prateados serpenteavam sob o vento sereno, os olhos rubros, saboreavam o magnífico cenário verde que se estendia diante deles. Ao seu lado, três presenças de aura negra, com personalidades absurdamente distintas, fitavam tudo atentamente, os olhos sorvendo destruição.

Dentro do castelo, alguns poucos arqueiros aguardavam a guerra nas seteiras das ameias. Os mais precisos carregavam bestas, os demais, apenas contariam com seus respectivos arcos. Todos observavam em pleno silêncio, aguardando as ordens do rei Alf.

Alf posicionou seu arco sentindo a textura da madeira de primeira qualidade. Ele pegou um flecha com a ponta feita de tungstênio, mirou no maior orc que viu e antes de disparar gritou:

-Eu sei que de nada adianta insistir em orgulho se no final você vai acabar morto, porém, nós somos os elfos a raça mais honrada de todas. Por isso hoje iremos ser sinceros aos nossos corações e fiéis ao nosso povo, mesmo que venhamos a minguar nesse campo de batalha. Hoje será o dia em que os elfos defenderão sua honra -Ao final de suas palavras ele liberou a flecha, que acertou em cheio a cabeça do orc, de onde sangue negro começava a sair. 

A guerra começou.

A expressão do rei das trevas se resumia a satisfação. Era exatamente aquilo o que ele queria, que o inimigo desse o seu melhor, que a presa viesse diretamente ao predador.

-Sua coragem é admirável- Retrucou o rei que carrega as trevas. -Mas não passa de ignorância e não muda o fato de que essa ilha será o seu túmulo.

Adan ergueu sua espada para os céus e gritou para o seu exército:

-Matem todos, não tenho a intenção de voltar para casa com nenhum desses lixos.

Alf hesitou por um breve espaço de tempo e antes que pudesse gritar “atacar”, uma saraivada de flechas, vinda diretamente das torres do castelo, recepcionou a tropa inimiga que fortemente armada, corria em direção ao batalhão élfico. Centenas dos adversários, agora sucumbiam e caíam por terra, atravessados pelas hastes pontudas.

-Vossa majestade -sussurrou Faergawad Blackpanther, o marechal do senhor dos elfos. -Os cavaleiros estão esperando por sua iniciativa.

O rei libertou-se do transe ainda chocado. Faergawad o mirava com uma expressão séria.

-Não há mais esperança, não é majestade?! -murmurou o marechal, a voz rouca vazia e triste.

-Há sempre esperança -retrucou o rei com um sorriso amargo. -Acontece que a nossa, está toda depositada na próxima geração e é para defendê-la que nos sacrificamos hoje.

Faergawad balançou a cabeça concordando.

-O senhor é impressionante. Será uma honra morrer ao seu lado, meu velho amigo.

Alf sorriu simplesmente, gratificado com as palavras de seu companheiro. Ele inclinou-se para frente e sussurrou algumas palavras no ouvido de seu cavalo. O animal relinchou em resposta e pouco a pouco começou a galopar adiante, onde a destruição o esperava. Cada trote equivalia a um batimento cardíaco do rei. Atrás dele, seus cavaleiros começavam a se juntar à marcha.

-Atacar - gritou ele, o fogo da determinação ardia fortemente em sua voz. Os dois exércitos agora se chocavam. 

Alf tirou a fuuma shuriken dourada da bainha em suas costas e com a arma estrelada, decepou o braço esquerdo de um orc que segurava de forma grosseira uma espada. O monstro grunhiu de agonia e enraivecido, perfurou a pata dianteira do cavalo. Assustado, o animal recuou de forma bruta, derrubando o rei que batia fortemente a cabeça no chão. O orc riu prazerosamente, exibindo os poucos e afiados dentes que possuía. Alf levantou atordoado, defendendo a primeira investida de seu inimigo e se esquivando da segunda. Antes que o seu adversário pensasse em atacar novamente, ele o atravessou com a arma dourada.

O barulho de lâminas se chocando ecoava por toda a ilha. O céu se encontrava oculto pelas flechas que caíam incessantemente. Pedras eram jogadas no castelo pelos orcs, através de balestras. Um cenário mórbido começava a se estender por toda Elderath.

Alf aparou um golpe na cabeça de um homem que comandava alguns orcs. Em sua retaguarda pôde ver o marechal atravessando vários corações com suas flechas, a velocidade e a precisão que ele possuía era simplesmente absurda. Ao lado dele Hrólfr decepava a cabeça dos orcs sem hesitar, com os movimentos ligeiros de sua espada.

Um orc alto apareceu na frente do rei e com uma investida de sua lança afiada, fez com que o elfo derrubasse a arma estrelada. Alf deu um passo para trás entretanto, não conseguiu evitar que o orc perfurasse violentamente a sua panturrilha direita. Ele pôde sentir claramente seus tendões e músculos se romperem. O orc tentou golpeá-lo novamente, sua tentativa foi interrompida pela lâmina da espada do elfo. Mancando, o rei deu um pulo para a frente e com sua lâmina afiada decepou o orc.

Apesar do ferimento rude, Alf tentou correr em direção ao senhor das trevas contudo, por mais que tentasse seu objetivo parecia inalcançável. Seus homens já haviam matado centenas de inimigos e nem por isso a vitória parecia estar mais próxima. Os pensamentos do elfo foram interrompidos quando tropeçou, caindo por cima da perna ferida. Ele urrou de dor, sangue fresco escorria pela sua panturrilha, o ferimento formigava. Tentou levantar-se o mais rápido que pôde porém, antes mesmo que o fizesse um guerreiro vestindo uma armadura prateada da cabeça aos pés, perfurou o corte que sangrava sem parar.

Alf levantou apoiando-se com uma espada que pegara do chão. Ele defendeu o ataque evasivo do guerreiro com a espada e tentou golpeá-lo sem sucesso. Tentou penetrar a barreira sólida que protegia seu inimigo com todas as forças, mas o aço era forte.

-A sua morte é iminente, senhor dos elfos Alf Volündr - Bradou o guerreiro. Sua voz tenebrosa ecoava dentro de sua armadura.

Alf posicionou as mãos de uma maneira estranha e com um sorriso seco falou:

-Você não sabe o quanto eu detesto fazer isso, mas você não me deixa escolha.Te ensinarei a engolir a arrogância.

O rei se esquivou do ataque da espada inimiga, jogou seu corpo pra frente, encostou as mãos magras na armadura do lutador e com a voz trêmula gritou:

-Grande eco!

Uma explosão branca saiu de suas mãos jogando seu adversário para o alto. Quando o guerreiro caiu novamente no chão, seu elmo escapou do restante da armadura deixando sua cabeça descoberta. O rei aproximou-se dele e encostou a ponta afiada da espada em seu pescoço magro.

-Misericórdia -implorou o guerreiro com a voz presa.

O elfo o olhou com desprezo e antes cortar-lhe a garganta sussurrou:

-Um guerreiro jamais implora por sua vida.

Alf se apoiou em sua espada cansado. Sua perna direita já não suportava mais o peso do corpo e a magia que tinha usado a pouco, havia sugado o que lhe restava de energia. Ele sabia que era um questão de minutos até que alguém o matasse. Ele suspirou enquanto examinava o campo de batalha, tudo ao seu redor sorvia destruição, poucos elfos ainda lutavam e lá longe um castelo de pedra outrora majestoso, construído sob as margens de um rio, era consumido por chamas. Aquele era o prelúdio do fim, que marcava a ascensão das trevas.

O rei tentou manter-se em pé  com esforço e, quando finalmente conseguiu equilibrar o corpo, uma flecha atravessou o seu peito. O espectro vermelho sorriu amigavelmente, em sua mão direita pendia um arco de madeira fino. O elfo caiu bruscamente no chão. Apesar da visão embaçada, pôde ver claramente um manto de espinhos envolver toda a ilha de Elderath. O frio tomou conta de cada canto do seu corpo, uma fina e seca lágrima escorreu de seu olho esquerdo, todas as suas angústias e arrependimentos se encontravam nela. Ele deu uma última olhada no que restou de seu exército, rezando para que ele permanecessem fortes e, antes que último sopro de vida o atingisse, sussurrou seu último desejo.

-Meus filhos, meus príncipes, façam com que essas terras conheçam a paz novamente.


Adan Darchrow Lhûggaward (O rei das trevas)

   

Adan Lhûggaward é o rei das terras-médias, mais conhecido como “rei que carrega as trevas”. Após um acontecimento no seu passado, Adan perdeu o juízo e isso desencadeou a guerra que mais tarde lhe daria o trono. Ele é o mais perigoso ser vivo existente, consumindo tudo que estiver em seu alcance para saciar o seu ódio.

É quieto, reservado, sombrio e paciente. Nada o intimida, nem mesmo a morte. Sua inteligência é extremamente elevada o que o torna ainda mais perigoso. É praticamente indestrutível, já que é cem por cento magia negra. Apesar de seu lado sombrio, dentro dele ainda bate um coração, que ele tenta a todo custo encobrir.

Fisicamente Adan é alto e musculoso. Ele possui feições serenas, tem longos cabelos prateados (característica herdada da linhagem real dos Lhûggaward) e olhos vermelhos como o sangue (característica também herdada da linhagem Lhûggaward). Têm fome por poder e sede de luxúria. Sua ira é temida por todo o reino.


Desmond Tars Noctivagus (O espectro cinzento)

    

Desmond Tars é o marechal das tropas do rei Adan. Não se sabe ao certo quando foi que ele se tornou um espectro, nem seus motivos, já que ele é bastante reservado e raramente conversa. Não gosta da ideia de tirar vidas, mas a faz sem hesitar se essa for a sua ordem. Ele diz que os espectros são sombras, e pra toda sombra existir é necessário uma luz, o rei Adan é a luz deles, e é por isso que ele respeita o rei mais do que tudo, por ele permitir que sombras como eles se banhem de sua forte luz.

Desmond é uma figura fria, exigente, sensível, distante, pensativa e indiferente. É o único dos três espectros que ainda tem saudade de sua vida humana e sente a falta de ter um coração. É o mais forte do trio, tendo domínio quase absoluto da magia negra. É altamente perspicaz e analítico e não age sem antes pensar duas vezes. O medo e a aflição atingem aquele que ousar enfrentá-lo.

Ele tem uma aparência melancólica. Seu cabelos curtos tem a cor do céu à noite, seus olhos azuis são profundos como a água do mar e sua pele pálida é desprovida de vida. Geralmente usa capas longas e negras escondendo a armadura que veste. 


Kael Dunkelheit Hipponacteus (O espectro vermelho)

   

Kael o sanguinário, é um espectro do exército do rei Adan. Antes de se tornar escuridão, Kael foi um elfo importante para a história de Eldherath porém, após um acontecimento no seu passado ele jurou que se tornaria mais forte, mesmo que ele tivesse que perder seu espírito. Desde então seu nome se tornou tão temido que até os seres mais nefastos se arrepiam ao escutá-lo.

É o único dos três espectros que demonstra felicidade. Ele é descontraído e cuca-fresca, carregando sempre um sorriso cínico no canto esquerdo da boca. Adora a emoção da caçada e nada o excita mais do que uma boa briga. Não gosta de usar espadas, prefere muito mais sentir a carne macia se chocando violentamente contra seus punhos. Têm o pensamento rápido que o auxilia a explorar com destreza o ponto fraco de seu oponente. Ele não consegue ficar calado e adora testar com a paciência alheia.

Kael tem os olhos azul-acinzentados como a neblina da madrugada, cabelos castanhos sempre bem penteados e uma curta barba que é aparada com frequência. Quando se tornou uma criatura das sombras, ele desistiu da maioria de suas características élficas porém, por ser extremamente vaidoso, manteve seu rosto intocado. Devido também a essa vaidade, Kael vive mudando seu visual, hora estando com os cabelos curtos, hora optando pelos cabelos compridos. O seu objetivo na vida é apenas aproveitar o máximo que ele conseguir.


Razor Kaldr Slark (O espectro negro)

    

Razor é um dos três espectros que servem o rei Adan, é provavelmente o mais maligno do trio e, o único que desistiu da alma por puro capricho. No passado ele foi o marechal do antigo rei de Elysea, Aturam Vasharti, mas deixou o cargo quando percebeu que as terras-médias estavam em paz. Fomentando batalhas se exilou no Deserto Mercurial e lá aprendeu a transformar seu espírito em uma escuridão tão antiga quanto o princípio do mundo. A sensação de êxtase ao retirar uma vida é a razão de sua existência.

Razor é extremamente rude e agressivo, possuindo uma sede insaciável por sangue. Durante uma luta é um oponente terrível (que age sempre usando força bruta) ao qual poucos sobrevivem. Não é um grande fã da tortura, gosta da morte rápida e limpa. 

Tear descreve os espectros como os seres mais sedutores de todos, até mesmo que os elfos. Porém, a sedução que os espectros provocam, é como a sensação de ser atraído para as profundezas do mais negro oceano. 


Zelos Larroch Scifo Vasharti

 

Zelos Larroch, o  príncipe leão, é filho de Aturam Vasharti e Mirana Arathi, o rei e a rainha do antigo reino de Elysea. Após o reino de Elysea ter sido tomado, Aturam e Mirana se esconderam na cidade de Ellylon, e depois de nove anos tiveram Zelos, seu primogênito. Eles se passaram por pessoas comuns durante vinte e três anos, mas o disfarce acabou, quando em uma visita à cidade, o rei Adan reconheceu os dois. O príncipe foi aprisionado e seus pais mortos.

 Zelos é uma pessoa hiperativa e impulsiva. Sempre age antes de pensar, o que pode ser prejudicial algumas vezes. É muito seguro em relação ás suas habilidades e tem bastante auto-confiança. Enquanto esteve preso, treinava secretamente estilos variados de luta, se aprofundando bastante na arte do arco e flecha. É o mais jovem de todo grupo, tendo apenas dezessete anos. Devido a sua natureza um tanto bruta, Florian esta sempre tentando ensinar alguma técnica de meditação à ele. É considerado um irmão mais novo por todo grupo. 

Seu sonho é encontrar um novo líder que guiará seu povo para uma nova era de paz.


Jhon Rackham (O pirata)

 

Jhon Rackham é um capitão pirata bastante conhecido no reino por estar frequentemente saqueando as cidades portuárias. Ele possui uma espada enfeitiçada que ao cortar uma pessoa, faz ela sentir toda a dor que já causou a alguém. Se junta ao grupo a pedido de Florian. No entanto possuí uma segunda razão pra estar ali.

Viperino e astuto, tem uma resposta sarcástica pra tudo, até mesmo para os assuntos mais sérios. Está sempre sorrindo, independente do que ocorra a seu redor. Ele tenta convencer a todos de que é uma pessoa cruel e sanguinária, no entanto ninguém acredita. Mesmo com sua natureza travessa é uma pessoa confiável e, é muito respeitado por seus companheiros.

Jhon é um homem muito bonito e muitas vezes sua beleza é comparada com a dos elfos. Ele é alto e atlético. Seu cabelos cor de ouro e seus olhos cor de gelo se ressaltam sobre a pele rosada que possui. Suas habilidades em batalha são formidáveis, e ele não tem medo de lutar sujo quando se faz necessário.


Hurricane Stern (O revolucionário)

    

Hurricane é um elfo e criador do grupo revolucionário “Dragões da lua”.       Arrogante e auto-suficiente, é um lutador forte e justo, que mantém seus verdadeiros sentimentos para si próprio. Ele se junta ao grupo contrariado, após perder uma aposta.

Apesar de ser um elfo, não se parece com um, devido ao fato de que após ter sido amaldiçoado pelo rei na batalha em Eldherath, ganhou características humanas, como barba por exemplo. Hurricane é alto e relativamente musculoso, com cabelos negros na altura dos ombros, e olhos igualmente escuros. Embora sempre esteja em conflito com Florian, confia e acredita no objetivo dele.

É uma pessoa complicada que pode pode estar tranquila em um momento e irritada no outro. Geralmente se mantém distante de seus aliados, mas arriscaria a própria vida para salvá-los se assim fosse necessário.

Seu objetivo é se aliar com a resistência para juntos destruírem o reinado de Adan.


Raina Merilwen (A knight)

     

Raina é a treinadora e comandante do grupo revolucionário “Dragões da lua”. É uma mulher forte mas sabe ser delicada. Seus soldados a chamam de “a flor que dança com o vento. Considerada a melhor espadachim da terra-média, Raina nunca perdeu uma batalha séria. Juntou-se aos dragões da lua quando Hurricane a conheceu em um torneio. Desde então ela supre um amor secreto por ele.

Na primeira impressão, parece ser uma mulher fria, arrogante e egocêntrica. Porém após derrubar suas barreiras, mostra ser doce,companheira e insegura. Conhece táticas de batalha como ninguém sendo capaz de pensar sempre um passo á frente. Uma de suas características mais proeminentes é o imenso respeito em relação à espada que carrega.


Licht Sonnenschein (O alquimista)

     

Licht é um jovem criado por anões que mora na cidade de Kettensburg. Apesar de ter nascido órfão, não teve grandes complicações em seu passado. Sempre amado pelos anões, era considerado um amuleto da sorte. Desde criança Licht mostrou suas habilidades para aprender, com apenas cinco anos, falava a língua humana e a dos anões fluentemente. Entende de tudo um pouco, da história do reino até as coisas mais triviais. Sua paixão é a medicina. Sabe tudo sobre ervas medicinais e conhece alguns tratamentos mágicos, apesar de não usar muito o segundo, já que a magia na maioria das vezes, é complicada. Fascinado por elfos, ficou muito feliz quando começou uma amizade com Florian. Odeia o rei e não se deixa ludibriar pelos falsos boatos que ele vive espalhando. É considerado o mais inteligente do grupo.

À primeira vista, parece ser um cara quieto e discreto, mas quando você o conhece melhor, percebe que ele é uma pessoa extrovertida e despreocupada. Pra ele nada vêm antes da amizade, filosofia que ele segue com rigor. Têm um jeito dócil e carismático e não pensa duas vezes antes de ajudar um ferido. Na hora da batalha ele consegue sempre manter a calma, sendo cauteloso e calculista. Também inventou uma maneira de usar magia e ciência juntas, porém é um método arriscado. Quando os guardas do rei matam sua irmã, ele jura vingança. Nada o enfurece mais do que o rei Adan.


Mistearyca Lavanldear (Tear)

        

Mistearyca é uma elfa que busca um amigo perdido. Ela é a segunda a se juntar a Florian em sua jornada, sendo uma das pessoas mais inteligentes do grupo, perdendo apenas para Licht. Nasceu em Eldherath um ano antes de sua destruição. Na fuga do reino sua mãe é ferida mortalmente e vêm a falecer no Vale da morte. Lá Tear é criada por uma alcateia de lobos e, eventualmente, aprende a se comunicar com eles e outros animais. Dom que sua mãe também possuía, já que foi ela quem convenceu os lobos a criá-la. Quando completa quinze anos um homem chamado Flow encontra Mistearyca no vale e passa a cuidar dela como uma filha, ensinando a escrita e a literatura para a pequenina. Embora não sejam ligados pelo sangue, ela considera Flow e os lobos como sua família.

Tear quase sempre usa uma de suas duas capas, branca ou vermelha e devido a isso ,após um evento, passa a ser conhecida como ” a garota do capuz vermelho”. Têm o gênio forte e um grande espírito de liderança. Geralmente é reservada, mas passa a ser um livro aberto quando está junto a Florian. Apesar de suas origens, demonstra ser uma pessoa civilizada e tolerante que sabe muito bem a hora de usar as suas “quatro patas”. Carrega consigo um pequeno saco cheio de sementes que protege com a sua vida.                                                          

Fisicamente Tear é um elfa muito atraente, possui longos cabelos cor de ônix, pele de marfim e olhos verde-esmeralda. Sua fala é adocicada e seu aroma é sereno como o orvalho. Apesar de ser extremamente habilidosa com pequenas armas, sua verdadeira força só é conhecida quando ela pratica magia.


Florian Geistwasser (O meio-elfo)

       

Florian é um meio-elfo que perdeu suas lembranças após uma tentativa de assassinato. Ele foi encontrado por Licht, quase morto em um vale próximo ao Lago Congelado. Licht o abrigou e curou seus ferimentos. Desde de que acordou do coma sua única lembrança é o momento pouco antes de sua “morte”.                         
Ele é perceptivo e muitas vezes diz às pessoas o que elas precisam ouvir. Por ter perdido a memória, Florian está sempre tentando aprender algo novo e, procurando absorver o máximo de informações que conseguir. Nunca tem medo de dizer o que pensa e nem de contrariar o que não acha correto. É extremamente emotivo, não sendo capaz de segurar suas lágrimas. Tem respeito absoluto pela natureza e preza a vida mais do que tudo, características que acredita ter herdado do seu lado élfico. Ele também é um amigo leal e companheiro e, muitas vezes, é considerado o coração do grupo ao qual ele se junta posteriormente.                                                       Aparentemente Florian possui vinte e seis anos. A presença das feições élficas são nitidamente claras em sua face; rosto simétrico, sobrancelhas oblíquas, nariz reto e orelhas pontudas. Segundo Tear ele é o homem mais bonito que ela já conheceu.